REDES SOCIAIS DÃO VISIBILIDADE AOS JOVENS


         Redes sociais dão visibilidade aos jovens

Blogs, sites de relacionamento e vídeo são ferramentas utilizadas para notoriedade e auto-promoção

    Os sites de relacionamento estão cada vez mais populares entre as pessoas, principalmente entre os jovens e no Brasil. Uma pesquisa divulgada pela companhia Nielsen mostra que 80% dos usuários de internet no Brasil frequentam este tipo de site, como MSN, Facebook, Youtube, blogs, Twitter e Orkut, chamado pela empresa de “comunidades de membros”.
     A pesquisadora norte-americana Danah Boyd defende que ter notoriedade no meio da multidão é uma das explicações do grande sucesso das mídias sociais.Segundo ela,antes ter status social significava colocar uma roupa da moda, hoje, é estar em blogs, redes sociais ou sites de vídeo.
      Segundo o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, Sergio Dassie Genciauskas, há uma explicação para o sucesso das redes sociais. “O ser humano em geral vive uma crise, não sabendo o papel dele na sociedade. Por isso, ele usa esses sites para se confirmar e expandir horizontes”. Esses tipos de sites possibilitam conhecer novas pessoas, reativar antigas amizades e começar relacionamentos. Você produz um perfil social da forma que bem entende, sendo verdadeiro ou não, e com isso é visto e tem a chance de ganhar status e se auto-afirmar. “Muita gente usa esse meio para se promover, criando uma personalidade. Você monta o seu mundo”, afirma o professor.
     Com perfis verdadeiros ou não, os chamados “fakes”, as informações quase nunca são 100% verdadeiras. “Com você pode tudo, quase todo mundo exacerba informações de qualidades. É como um currículo, em que todo mundo coloca que fala inglês, e na verdade não sabe nada desta língua. Na internet todo mundo diz que é perfeito”, disse o Genciauskas.
  O professor revela que a utilização dessas mídias para se promover crescerá proporcionalmente. “A internet é um refúgio, as pessoas tem a impressão de conseguir coisas que não conseguem no mundo real, cada vez mais complicado. Por isso essa busca pela auto-afirmação vai continuar”.
    Essa frequência na rede mundial de computadores gera outras polêmicas, como a superficialidade das relações e a sociedade consumista. Para muitos, as relações virtuais ocorrem pois o computador é uma ferramenta que acaba sendo prática no uso do tempo livre, já que as pessoas trabalham cada vez mais hoje em dia. “O estudante que trabalha, por exemplo, fica o dia inteiro no serviço e, à noite, vai para a universidade. O único tempo que ele tem para conversar é pelos sites de relacionamento”, ressaltou Genciauskas. Já em relação à superficialidade das relações, no qual a informática poderia contribuir, o professor discorda. “Tribos sociais se organizam, marcam encontros pela internet, a qualquer hora do dia, em qualquer dia da semana. A relação ficou com certeza mais próxima”, afirmou.
    A Universidade de Melbourne divulgou também uma pesquisa que diz que os sites de relacionamento ajudam no desempenho do trabalho. O professor da Universidade Metodista concorda com a hipótese, mas afirma que essa melhora não se dá de forma direta. “Esse tipo de site ajuda no perfil do jovem. Faz com que ele se comunique, se coloque de maneira correta. Pois quem não faz isso, não corresponde às expectativas, é segregado no meio virtual.”
                            VISIBILIDADE VERSUS PRIVACIDADE
    Uma preocupação do desenvolvimento dessas redes sociais são os crimes virtuais, principalmente com as crianças. Uma pesquisa feita pela Universidade de Navarra, na Espanha, em parceria com a Fundação Telefônica, destacou que 46% dos 4.205 jovens brasileiros de 6 a 18 anos entrevistados em São Paulo reconhecem que os pais não perguntam sobre os sites que eles acessam e 60% dizem já terem encontrado com um amigo que conheceram na web.
     A pedofilia se torna um dos crimes mais comuns, já que o criminoso entra em contato com a criança através de perfis falsos, e conquista a confiança do jovem com uma linguagem diferenciada.
     Porém essa sensação de liberdade e privacidade pode acabar. É que, segundo a edição do jornal inglês “Sunday Times”, o Centro de Comunicações do Reino Unido poderá monitorar todas as informações trocadas pela população. A ação, que vai atingir todos os tipos de acesso a web, desde e-mails, contatos telefônicos até essas redes sociais, seria um investimento de mais de 1 bilhão de euros. Transformado em realidade, o ato promoverá uma discussão ao redor do mundo. A Constituição Federal Brasileira garante o direito à privacidade, à intimidade e à imagem

(Henrique Munhos - Espaço e cidadania - Universidade Metodista de São Paulo)


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