FONTEZINHA
Ao não mais ver a pequena fonte,
Nem mais ouvi-la docemente sussurrar,
Perguntei:
- O que é que há?
E logo no bairro Glória,
E que espanto, e que glamour!
Manso luar
Mansa brisa
E a fonte prisioneira a choramingar.
Sob os escombros
A chorar,
Ninguém por ela...!
A pequena fonte
A soluçar.
Botaram asfalto, tubos, tubulações...
Massa corrida.
Lá deve a pequena fonte vagar:
Sob os escombros
A soluçar.
E árvores, e árvores ainda haverá?!
(As velhas árvores, as novas árvores)
Perguntei aos bem-te-vis,
Ainda por ali:
Responderam entristecidos:
Os homens andam a matar.
IGNOTUS
Todas as manhãs passeava por ali...
Sapatos de lona.
Bravas auroras.
Encarnação do espanto.
Nunca carregou sanfona,
Mas tocava a vida,
Como a vida toca
Bem te vis.
...Paçoquinhas!
Tinha gosto por elas.
Tardes amarelas
De roer unha.
Devorado,
Morreu dias desses sem que ninguém desse por conta.
JAMBOS VERDES
Nessas tristes tardes
Debruço-me sobre a janela a colher jambos.
Infinita tristeza de jambos amarelos
Jambos verdes, jambos vermelhos.
Flores dançam ao léu,
Vermelhas pétalas de aurora.
Cobrem calçadas,
Cobrem o colete dos soldados cancioneiros.
E há sábias de peito avermelhado:
Recolhem rosas no céu.
Recolhem minha tristeza
Amarga tristeza: risos de outrora.
Hoje, já não mais giram e quando giram
Não retornam essas aves retardatárias.
Memórias esguias.
E resta o silêncio, insólito silêncio:
Escada de pedra
Cravada no peito.
Joinville, 11 de Junho de 2012
REMINISCÊNCIAS
Instigam-se sombras...
Refazem-se campos desnudados...
Desassossegados pássaros perfilam.
Silentes, nada esperam...
Sirenes de chumbo.
Idade da pedra...
E o que esperar desses rebanhos
Retardatários?
Incertas paisagens renovadas.
O que esperar?...
Impaciências resolutas.
O que esperar?
Além do silêncio,
Pássaros incontidos aguardam
Imaturos voos...?!
É tarde...
E uma tristeza magoada
Prossegue, assoberbando-me.
2 comentários:
Ode
És uma grata surpresa. Belas poesias. Revelas uma alma que este amigo não conhecia. Melhor assim.
Quanto aos poemas publicados, muchas gracias. Onévio, poeta bissexto.
Ode, antes tarde do que nunca. Muito obrigado mesmo. Onévio
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