SEM PALAVRAS / JOSÉ FERNANDES / GOIÁS

SEM PALAVRAS
José Fernandes

O que fazer, se o silêncio emudeceu,
se a palavra abdicou da pronúncia
e deixou o poeta sem o conc(s)erto
do verbo que não mais se conjuga?

O que fazer se o verso não vem
e não se pode correr pelos vãos
das palavras e formar o caminho
das pedras que conformam o poema?

O que fazer, quando se é só silêncio
e não se pode revelar o pensamento
desejoso de estourar-se em tempos
e modos de signos e símbolos humanos?

O que fazer se o poema não se faz,
e o ser permanece no fundo escuro
da caverna, sem projetar-se no futuro
que só se quer pretérito imperfeito?

Será que é por que hoje é sexta-feira
treze de um ano treze? Mas, o treze
é realmente o meu número da sorte:
o poema nasceu do mágico silêncio
do número quatro, que é treze sendo.

13-9-2013

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